Produção de algodão orgânico cresce no Brasil

Um mercado em fase de estruturação no Brasil, mas com bom potencial de crescimento: o de têxteis orgânicos, levantam a bandeira do sócio e ambientalmente responsável. 
por Dubes Sônego

 Boas perspectiva de demanda tem dez pequenas indústrias têxteis da Paraíba, que se juntaram em 2000 e, em 2003, fundaram a CoopNatural. Hoje, a iniciativa reúne 30 cooperados, 23 deles micro empresas têxteis, com em média 15 funcionários cada. Com uma produção de entre 5 mil e 10 mil peças por mês, de artigos tão variados quanto moda masculina, feminina e infantil, itens de decoração e bichos de pano, a cooperativa abriu este ano suas três primeiras lojas com marca própria, pelo sistema de franquia, em São José do Rio Preto, João Pessoa e Osasco. E mantém negociações com empresários em Palmas e Campinas, para a abertura de outras duas unidades. Segundo Maysa Gadelha, diretora presidente da CoopNatural, antes da crise, a média de crescimento vinha sendo de 30%. Agora, apesar da turbulência, tem sido de 20%. “Estamos trabalhando muito mais, mas temos batido as metas”, afirmou a executiva.

“Se você olhar as cifras internacionais de crescimento das vendas de têxteis orgânicos, os percentuais são muito altos. E o Brasil é um dos poucos países que tem todos os elos da cadeia produtiva”, disse o francês Thomas Favennec, que no final de 2008 veio morar em Petrópolis, pólo têxtil fluminense, para estruturar e tocar a filial local da Tudo Bom?, empresa francesa com identidade de marca e produção brasileiras, que assim como a YD, tem planos de produzir têxteis orgânicos também para terceiros.

Modelo alternativo atuar no mercado de têxteis orgânicos no Brasil, porém, não é das tarefas mais simples. Não existem no país plantações em escala comercial, como nos Estados Unidos, Egito, na Turquia e na Índia. “Tentamos convencer alguns agricultores. Mas os grandes produtores de algodão não acreditam no produto. E, para os plantadores de soja, a cultura é considerada pouco rentável”, disse Eber Lopes Ferreira, sócio-diretor da Coexis, consultoria especializada em estruturar toda a cadeia de fornecimento para empresas têxteis que querem produzir orgânicos e pela emissão do selo de procedência NOW (Natural Organic World). “É uma produção que, pelo menos por ora, só se viabiliza em pequenas propriedades”, afirmou. “Quase todo o processo de colheita é feito manualmente”, acrescenta Maysa, da CoopNatural.

Por isso, além de se encarregar das atividades em que as empresas têxteis tradicionalmente se dedicam, quem quer entrar neste mercado precisa desenvolver fornecedores, contratar consultorias ou se aproximar de ONGs que mantêm projetos de desenvolvimento social através da plantação de orgânicos, como a Esplar, no Ceará, que oferece assistência técnica e organizacional a pequenos agricultores.

A Tudo bom? por exemplo, optou por iniciar seus trabalhos com a estruturação de uma ONG, em 2004, para articular os trabalhos de apoio técnico e organizacional com grupos de produtores rurais; a compra da produção de algodão em pluma; a entrega à empresas de fiação e tecelagens terceirizadas; o corte e o envio à costureiras para a confecção de roupas e, por fim, o embarque para a França, onde as peças seriam distribuídas e comercializadas pela empresa. “Como trabalhamos dentro do conceito de ‘comércio justo’ e não há entidade jurídica que se enquadre a este modelo, abrimos uma ONG e uma empresa”, diz Favennec.

Apesar de ainda não ser ter o selo da Associação de Certificação Instituto Biodinâmico (IBD), certificadora de orgânicos no Brasil, a Tudo Bom? já tem algo entre 50 e 70 produtores em processo de certificação, no Rio Grande do Norte e em Pernambuco, que deverão garantir o fornecimento de algodão para sustentar a meta de produzir entre 30 mil e 40 mil peças de moda masculina, feminina e bebê, este ano. “Por ora, produzimos algodão agroecológico, sem inseticidas químicos e pagando um preço justo aos agricultores. Compramos a um valor entre 150% e 200% acima do mercado, com contratos de preço e qualidade estabelecidos antes do plantio”, afirmou o francês. “Se fosse só por preço poderíamos fazer mais barato na Índia, mas produzir aqui é interessante para explorar o potencial de marca da identidade brasileira”.

A YD também teve que desenvolver seus fornecedores. Tarefa que custou tempo e dinheiro. Segundo José Guilherme Teixeira, diretor comercial da empresa, os primeiros testes com produtos ecologicamente corretos foram feitos há seis ou sete anos e o desenvolvimento de fornecedores, há quatro. Hoje, a empresa tem até produção própria de anil no Brasil (“não havia fornecedor”), para tingir as roupas, e trabalha com 290 famílias, espalhadas pelos estados de Minas Gerais, Goiás e Paraíba, que deverão garantir entre 160 e 200 toneladas de algodão orgânico em pluma para a produção de 2009 – o suficiente para a produção de um milhão de camisetas, por exemplo. “Estamos iniciando a produção no interior de São Paulo e estudando abrir outro grupo no Ceará”, contou. Mas, afirmou, nem sempre é possível estruturar novos grupos, porque para viabilizar logisticamente os projetos é preciso reunir ao menos 20 agricultores de uma mesma localidade, com em média três hectares de área disponível para plantio cada.

Perspectivas

Yammine diz que seu sonho seria chegar a 100% da produção com algodão orgânico em cinco ou seis anos. Até porque, “as margens são as mesmas. A diferença está no diferencial de mercado (ter roupas ecológica e socialmente responsáveis) e na satisfação pessoal”. Mas, dentro de uma perspectiva mais realista, afirmou acreditar que pela limitação de produção de algodão, a YD conseguirá chegar a 30% ou 40%, mesmo pagando prêmios de 20% a 30% acima do valor em Bolsa pela matéria-prima orgânica. “Este ano, podemos chegar a 15% da produção total. Hoje, estamos por volta de 5%”.

Maysa, da CoopNatural, destacou ainda como barreiras a pequena quantidade de técnicos capacitados para dar apoio a produção de algodão orgânico, uma vez que o modelo dispensa agrotóxicos para combater pragas, por exemplo. E a dificuldade de se levantar capital de giro para financiar os pequenos agricultores. “Todo o ciclo leva cerca de um ano e meio”, disse a executiva. Segundo ela, alguns bancos oficias até participam de feiras do segmento de orgânicos. “Mas nunca conseguimos financiamento”, diz.

Produção nacional

De acordo com estimativas da Coexis e do IBD, hoje cerca de dez empresas têxteis de pequeno e médio porte estão envolvidas com a cadeia de produção de algodão orgânico no país. Para atender à demanda dessas empresas, existem certificados cerca de 600 hectares de campos de algodão especial, que são trabalhados principalmente por produtores familiares – em muitos casos donos de pequenos lotes de assentados pelo programa governamental de reforma agrária. Outros cerca de 400 hectares estão em fase adiantada de certificação (o processo todo leva 18 meses, em média) e, segundo o IBD, mais 300 hectares deverão entrar no sistema de certificação, ainda este ano.

Hoje, os principais estados produtores são Paraná, Paraíba e Ceará. Mas, existem áreas de plantio em São Paulo, Pernambuco, Minas Gerais e Rio Grande do Norte.

Apesar do crescimento significativo da produção, de cerca de 30% este ano, a área plantada de algodão orgânico ainda é uma gota no oceano da produção tradicional brasileira. Segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a safra 2008/2009 será de 1,2 milhão de toneladas, com uma área plantada superior a 800 mil hectares. Um início discreto, mas aparentemente promissor.

FONTE: America Economia.com.br

3 Responses to Produção de algodão orgânico cresce no Brasil

  1. Boa tarde,
    Trabalho num atelier de moda e estou muito interssada em utlizar algodão orgânico na produção das roupas da minha loja.
    Poderiam me indicar algumas firmas que já comercializem algodão orgânico para confeção?

    Atentamente,

    Fernanda

  2. Eu Frederico Dantas sou Químico Industrial – M. Sc. em Tecnologia Ambiental e Especialista em produção de biodiesel. Procuro Produtores de algodão para produzir biodiesel com tecnologia inovadora. A nova tecnologia produz biodiesel etílico com alta pureza média de 99% em ésteres etílicos e por isso é muito mais viável do que a tradicional via química por transesterificação que tem pureza muito inferior, quando comparada a pureza do biodiesel produzido pela nova tecnologia. O processo tem características MDL, não polui os efluentes, a planta industrial é muito menor do que qualquer outro existente, a planta com as operações unitárias são reduzidas em números pela metade, os coprodutos formados têm maior preço de mercado do que o próprio biodiesel obtido, o que torna quase alto sustentável em seu custo de produção e favorece ao pequeno agricultor. O tempo total de sua produção não é mais do que duas horas.
    Caso seja do interesse aguardo contato por:
    Cel.: (81)81762815/(81)88549719 e (81)87489019;
    email: fdquimica@yahoo.com.br
    SKYPE: fredericoadantas
    ENVIAR RESPOSTA COM A DATA ATUAL APÓS O ASSUNTO COM OS NÚMEROS CORRIDOS. EX.: BIODIESEL23022012

  3. Olá, boa noite. Estou abrindo minha confecção de camisetas, e gostaria muito de trabalhar com algodão orgânico. Gostaria de saber se vocês sabem onde posso encontrar.
    Obrigada.

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